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O câncer ou a vida: primeiros dias

  • Foto do escritor: beldavilamestredes
    beldavilamestredes
  • 17 de jun.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de ago.


Não me defino pela doença, não admito ser conhecida apenas por

"a paciente com linfoma".


Em maio de 2024, recebi o diagnóstico de um linfoma — câncer no sistema linfático. Desde então, foram 150 dias de internação, 47 sessões de quimioterapia e um autotransplante. No começo, foi como bater o rosto de frente com uma parede: pensamentos embaralhados, um corpo que já não era possível, planos rasgados . As viagens que sonhei, o trabalho pelo qual esperei, as noites que imaginei — tudo morreu. Sobraram o presente e o medo.


continua depois da foto...

Viver doía.
Viver doía.

No primeiro mês, chorei como nunca. A tristeza veio acompanhada pela culpa. Por que demorei tanto? Por que ignorei os sinais? Não havia mais espaço para o amanhã — só para exames, quimioterapia, remédios e dúvidas que se arrastavam. Será que o tratamento vai funcionar? Será que há cura para mim?

Essas perguntas foram repetidas sem pausa, tomando meus pensamentos. No peito, o nó da angústia. Os dias passaram, as dúvidas permaneceram.

No cotiadiano, havia pequenos gestos que ajudavam a seguir - uma conversa simples com médicos e enfermeiras, um cuidado carinhoso dos familiares- e um ou outro sopro de esperança e fé. Aos poucos fui percebendo que não existia uma "volta ao normal". Essa era a primeira verdade a admitir: a vida mudou de rumo, sem negociação, sem necessidade de aceitação. Apenas seguiu. Mais lenta, mais dura, repleta de incertezas.

Eu me sentia outra pessoa. Ainda não sabia bem quem era. Não admitia ser definida pela doença, não queria ser conhecida apenas por "a paciente com linfoma". Mas minha cabeça sem cabelo e minhas longas internações eram marcas a ditar conversas e olhares. Segui buscando o "novo" possível de construir.

Mas mesmo na escuridão mais densa, há um lampejo — uma palavra dita com afeto, um olhar de cuidado, uma mão estendida no quato do hospital.

segue na póxima publicação



 
 
 

1 comentário


Ana Elisa Masera
Ana Elisa Masera
24 de ago.

A senhora é inspiração! Te amo.

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